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sexta-feira, 26 de março de 2010

Fotógrafo de causas

É um dos grandes fotógrafos da Getty Images, a maior agência fotográfica do mundo. É também um homem humilde e discreto, apesar de ser considerado um dos melhores na sua profissão e dos múltiplos prémios que ganhou.

Chama-se Brent Stirton, nasceu na África do Sul, tornou-se cidadão do mundo e tem 39 anos. O seu trabalho é essencialmente fotojornalístico, mas o impacto das fotos que tem tirado, a sua dedicação a causas ambientais e humanitárias fizeram dele, segundo o World Economic Forum, um dos 200 jovens líderes globais de 2009.

Richard Holbrooke, mentor dos Acordos de Paz de Dayton, sete vezes nomeado para o Prémio Nobel da Paz, diz que Brent Stirton é «um bem de valor inestimável». Holbrooke é o presidente da Global Business Coalition against Aids, Tuberculosis and Malaria. Todos os anos, Stirton trabalha três semanas de borla para a organização. «Aproveitamos ao máximo o tempo que nos dá, ao ponto de ele só conseguir dormir poucas horas por dia».

O dia-a-dia de Stirton é viver o pulsar do mundo – terras distantes e secas e famintas e violentas: são nove meses por ano em missões de trabalho. Fotografou a guerra no Iraque, a matança dos gorilas no Congo, os orfãos com SIDA na África do Sul, a devastação no Sri Lanka causada pelo tsunami de 2004. Quando não coloca o seu talento ao serviço de organizações de saúde e ambientais como a World Wide Fund for Nature (WWF), trabalha para as maiores publicações do mundo: National Geographic Magazine, National Geographic Adventure, New York Times Magazine, London Sunday Times Magazine, Discovery Channel, Newsweek, Le Express, Le Monde 2, Figaro, Paris Match, Stern, entre muitas outras.

Em 2006, a revista People combinou com o casal Brad Pitt/Angelina Jolie uma capa com o seu bebé recém-nascido. Os actores aceitaram sob duas condições: os lucros com a fotografia deveriam ser canalizados para instituições de caridade e o fotógrafo teria de ser Brent Stirton. A fotografia gerou cerca de 20 milhões de dólares (13,7 milhões de euros) de lucro e Stirton fez o trabalho anonimamente. Só mais tarde se soube que fora ele o autor da foto. Voltou dois anos depois a fazer mais uma sessão fotográfica com o casal de actores, sob anonimato e nas mesmas condições.

Angelina Jolie já conhecia o fotógrafo quando andou a fazer trabalho humanitário em Serra Leoa – e por isso o escolheu. «Aceito a ironia de que uma foto deste tipo pode fazer mais pelas causas humanitárias do que os trabalhos que tenho feito no terreno», afirmou Stirton numa entrevista a Daryl Lang, do sítio PDNPulse.

«Mas neste mundo de celebridades instântaneas, Angelina Jolie é uma das poucas pessoas a usar o seu estatuto para maximizar a publicidade em torno de causas humanitárias de forma honorável. Estarei sempre disponível, se precisar de mim. Eu vi para onde foi esse dinheiro todo: permitiu construir hospitais, levou medicamentos a pessoas que nunca teriam dinheiro para os comprar. Eu poderei o resto da minha vida fazer o meu melhor trabalho documentário, mas nunca poderei ter o impacto que esse tipo de dinheiro tem na vida dessas pessoas. Perdi quinze minutos a fazer aquela foto e estou muito feliz por a ter feito.

As fotografias da matança de gorilas no Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo, o principal santuário dos gorilas-das-montanhas na África, colocaram uma enorme pressão nas autoridades do país e levaram à detenção de um guarda-florestal do Instituto congolês de Conservação da Natureza, tido como principal responsável pela ordem de execução.

Segundo ambientalistas no terreno, a matança terá servido para desviar as atenções do tráfico de ‘makala’ – carvão ilegalmente fabricado no parque. O fotógrafo esteve lá, e mudou um bocadinho o mundo. Temporariamente, claro.

Retratos de Nova Iorque a preto e branco

Cary Conover, fotógrafo, o homem que tem como principais influências fotógrafos mais ou menos anónimos que «fotografavam sem ego, apenas pela alegria de fotografar»: eis os seus retratos das gentes de Nova Iorque e da cidade de Nova Iorque a preto e branco, excelentes.

Annie Leibovitz parodia Annie Leibovitz

Lembram-se desta famosa foto de Annie Leibovitz? Aposto que sim. Saiu na capa da edição de Março de 2006 da Vanity Fair. Tal como em outras fotos de Leibovitz, também esta se tornou famosa sobretudo pela nudez (inédita) de Scarlett Johansson e da surpreendente companhia.

O que eu não sabia é que a fotógrafa resolveu, três anos depois, fazer uma paródia desta foto com os actores Jonah Hill, Paul Rudd, Seth Rogan e Jason Segel. Aliás, todo esse número (saiu em Abril do ano passado) era um tributo à comédia, com a participação de vários fotógrafos da revista.



Neste blogue podem ver mais exemplos das fotos com os comediantes americanos. E neste artigo da própria Vanity Fair podem ter uma ideia de como o nome de Annie Leibovitz é suficiente para juntar as maiores estrelas de Hollywood em memoráveis fotos de conjunto.